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Muitos dizem (creio que exageradamente) que se perdeu uma artista, outros pedem para ler os tais e os restantes nem sabem de tal existência.
"Vá vá, pára lá de divagar, Raquel. Explica-te de uma vez."
Pronto, está bem. Hoje quero partilhar convosco mais um bocadinho de mim. Cá ficam, dois textos de um livro que em tempos escrevi.

Espero que gostem tanto quanto eu gosto de os reler.


O mundo é de quem sonha
Juras, que são muito mais que juras
Pensamentos, que são muito mais que pensamentos
Momentos, que são muito mais que momentos
Palavras, que são muito mais que palavras
Impressões, que são muito mais que impressões
Crenças, que são muito mais que crenças
Juras, que pouco são
Pensamentos, que são ainda menos
Momentos, que menos ainda serão
Palavras, que muito menos significam
Impressões, que são meras insignificâncias
Crenças, que menos ainda se tornarão
Palavras estúpidas, como estas
Jogos de palavras estúpidos como este
A insignificância disto tudo, quando na tentativa de se exprimir algo, 
não existem palavras que o consigam fazer.
A mera ignorância dada às pessoas que faz com que não se saibam exprimir.
Assim sou eu, assim serás tu, assim seremos todos.
Porém, há ainda aqueles que sentem, e os que não sentem.
Os que sentem, sentirão.
Os que não sentem, não precisarão de sentir.
Os que sentem e lutam, conseguirão.
Os que sentem e não lutam, é porque não tencionam conseguir.
Os que não sentem e lutam, é porque procuram sentir.
 Os que não sentem e não lutam, é porque vieram ao mundo apenas para existir.

Vozes de burro não chegam ao céu
Os meus olhos ficaram baços, escureceram, deixaram de brilhar
como se os tivesses queimado com um ferro candente
mas não, não sou mais a tua vítima
ceguei mas agora vejo melhor que nunca quem és
o enevoado não o é mais
abafaste o som da guitarra, destruíste os meus cristais
o baloiço entristeceu e levou com ele tudo o que Deus me deu
senta-te, senta-se junto dessa mesa, mas dela não te aproximes,
pois comigo só à mesa se sentam aqueles que não trazem queixumes.
No meio de aptidões e sonhos
apunhalaste-me pelas costas, sem dar largas à imaginação,
sem teres noção das consequências,
apuraste os meus sentidos, espalhaste as minhas aguarelas
alojaste e aquentaste a minha alma, deste-me um abrigo
mas esse abrigo foi-se tão depressa como chegou.
Foi difícil, mas fui-me apercebendo, 
 que eras só mais uma fatia de pão sem sal no meio de tantas, 
uma sardinha dentro de tantas latas 
e eu nem de sardinhas gosto. 
O meu mérito está aquém do que imaginas, 
és apenas mais um escravo que estancou, 
vê se atinas, como homem que és, 
deste o mundo que tinhas a teus pés, 
ungiste todas as partes do meu corpo
 mas não as limpaste
generalizaste todas as minhas qualidades e defeitos, mas não as tornaste especiais
tornaste banal o que era urbano
tornaste rotina tudo o que era dano
deixaste-me ir até ao ultramar
e ficaste em terra sem saber remar.


 

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